← Todos os artigos Blog · Indústria
Indústria

Cinco indicadores de produção que uma PME industrial devia medir todos os dias

OEE, disponibilidade, refugo, cumprimento de plano e custo por unidade: os cinco KPIs de chão de fábrica que uma PME mede com os dados que já tem.

· Por Maria Carvalho · 9 min de leitura

Cinco indicadores cobrem a maior parte das decisões de uma PME industrial: OEE, disponibilidade, taxa de refugo, cumprimento do plano e custo por unidade. Todos saem de dados que a fábrica já gera. Vale a pena medi-los mesmo grosseiramente: num estudo da Evocon com mais de 3.500 máquinas em mais de 50 países, a maioria das fábricas situa-se entre 55 e 60% de OEE e só cerca de 6% chega aos 85%.

Numa PME industrial, a pergunta “como correu o dia?” costuma ter uma resposta em histórias: a linha 2 andou bem, houve um problema de manhã, a encomenda saiu à justa. São respostas honestas, mas não se somam. No fim do mês ninguém sabe dizer, com um número, se a fábrica melhorou ou piorou face ao mês anterior.

O caminho para lá não passa por comprar um sistema. Passa por escolher meia dúzia de indicadores, defini-los da mesma maneira todos os dias e começar a registá-los, mesmo que, para começar, seja num Excel. Este artigo propõe cinco. Não são os únicos possíveis, mas são os que dão mais informação por unidade de esforço, e todos podem sair de dados que a fábrica já gera.

Porque cinco, e não trinta

A tentação, quando se decide medir, é medir tudo. É um erro. Um painel com trinta indicadores não se lê: escolhe-se um ou dois ao acaso e ignoram-se os restantes. Cinco indicadores bem escolhidos, revistos todos os dias na reunião de produção, mudam mais decisões do que um dashboard vistoso que ninguém abre.

A regra é simples: um indicador só entra na lista se alguém for agir com base nele. Se ninguém muda nada quando o número piora, o número não serve para nada.

A ideia não é nova. Em 1883, o físico William Thomson, Lord Kelvin, disse-o numa palestra a engenheiros:

“Quando se pode medir aquilo de que se fala e exprimi-lo em números, sabe-se alguma coisa sobre isso; quando não se pode medir, o conhecimento é escasso e insatisfatório.”

Lord Kelvin · palestra “Electrical Units of Measurement”, 3 de maio de 1883

Os cinco indicadores

IndicadorO que respondeDe onde vêm os dados
OEEDa capacidade ideal, quanto produzimos mesmo?Comando das máquinas, registos de paragem
DisponibilidadeQuanto tempo a máquina esteve a trabalhar vs. planeado?Registos de paragem, horas planeadas
Taxa de refugoQuanto do que saiu teve de ser deitado fora ou retrabalhado?Registos de qualidade
Cumprimento do planoDo que estava planeado para hoje, quanto saiu?Plano de produção vs. produção real
Custo por unidadeQuanto custa produzir uma unidade, de facto?ERP, consumos, horas

OEE (eficiência global do equipamento). É o indicador-mãe da produção. Multiplica disponibilidade, velocidade e qualidade, e resume numa percentagem quanto é que a máquina produziu face ao que produziria em condições ideais. Um estudo da Evocon, com dados medidos de mais de 3.500 máquinas em mais de 50 países, situa a maioria das fábricas entre 55 e 60%. Só cerca de 6% chegam aos 85%. É bem abaixo do que a intuição sugere, e é frequente uma fábrica sobrestimar o seu. Vale a pena medir mesmo que grosseiramente.

Disponibilidade. É o fator do OEE que mais peso costuma ter numa PME, e o mais fácil de medir sozinho. Responde a uma pergunta direta: de todo o tempo em que a máquina devia estar a trabalhar, quanto esteve mesmo? Cada paragem, planeada ou não, come este número.

Taxa de refugo. Mede a fração da produção que saiu defeituosa. É o indicador que liga a produção à qualidade e à margem: cada unidade refugada gastou material, energia e tempo, e não gerou receita. O custo da não-qualidade costuma ser maior do que a fábrica estima.

Cumprimento do plano. Compara o que estava planeado para o dia com o que saiu de facto. Um cumprimento sistematicamente abaixo de 100% não é só um problema de produção: pode ser um problema de planeamento demasiado otimista. O número diz qual dos dois é.

Custo por unidade. É o mais difícil de calcular com rigor, mas o que mais fala a linguagem da gestão. Junta material, mão de obra e energia por unidade produzida. Não precisa de estar perfeito ao cêntimo; precisa de ser calculado da mesma maneira todos os meses, para que a tendência seja fiável.

O erro de comparar com a fábrica do lado

A primeira coisa que muita gente quer fazer com um KPI é compará-lo com uma referência externa: “um bom OEE é 85%”, “o refugo devia estar abaixo de 2%”. A referência dos 85% tem quatro décadas: foi fixada por Seiichi Nakajima em 1984, no quadro da manutenção produtiva total (TPM). Existe, mas é traiçoeira, porque cada fábrica calcula os indicadores à sua maneira. No estudo da Evocon, três erros apareciam vezes sem conta: paragens não planeadas reclassificadas como planeadas, tempos de ciclo ideais subestimados ao ponto de a velocidade dar acima de 100%, e refugo que fica fora da conta. Descontados esses erros, os autores estimam que só cerca de 3% das fábricas atingem mesmo os 85%. Dois valores de OEE calculados com métodos diferentes não são comparáveis.

A comparação que vale é consigo próprio, ao longo do tempo, com o mesmo método. Se o OEE da sua fábrica subiu de 54% para 58% em três meses, isso é uma vitória concreta, independentemente de a fábrica do lado dizer que anda nos 70%.

Por onde começar

Não precisa de comprar nada para começar. Precisa de disciplina durante um mês:

  1. Escolha uma linha ou máquina crítica. Não tente medir a fábrica inteira de uma vez. Comece por onde uma melhoria tem mais impacto.
  2. Defina cada indicador por escrito. O que conta como tempo planeado, o que conta como refugo, como se calcula o custo. Sem definição escrita, cada pessoa mede à sua maneira e os números deixam de bater.
  3. Registe todos os dias, no mesmo sítio. Um Excel partilhado chega para começar. O que importa é a consistência, não a ferramenta.
  4. Reveja os cinco números na reunião diária. Cinco minutos. Se um piorou, decide-se o que fazer. Se ninguém age, o indicador sai da lista.
  5. Ao fim de um mês, olhe para a tendência. É aí que os números começam a valer: não no valor de um dia, mas na direção ao longo de quatro semanas.

Medir com disciplina é mais raro do que parece. Segundo a Eurostat, cerca de 40% das empresas da UE fazem análise de dados, com meios próprios ou externos. Nas pequenas, entre 10 e 49 trabalhadores, só cerca de 28% a fazem com meios próprios, contra 79% nas grandes. Uma PME que reveja cinco números todos os dias está, só com isso, à frente da maioria das empresas do seu tamanho.

Quando o registo manual começa a ficar pesado, ou quando os dados já existem espalhados por vários sistemas que não se falam, é o momento de os organizar e centralizar para que o painel se atualize sozinho, em vez de alguém o compilar à mão todas as manhãs.

Perguntas frequentes

Quais são os indicadores de produção mais importantes numa fábrica?

Não há uma lista única, mas cinco cobrem a maior parte das decisões de uma PME: OEE (eficiência global), disponibilidade, taxa de refugo, cumprimento do plano e custo por unidade. O critério para incluir um indicador é simples: alguém tem de agir com base nele. Se ninguém muda nada quando o número piora, não vale a pena medi-lo.

Preciso de um software de produção para medir KPIs?

Não para começar. Um Excel partilhado, preenchido com disciplina todos os dias, chega para os primeiros meses. O software passa a fazer sentido quando o registo manual fica pesado ou quando os dados já existem em vários sistemas que não comunicam, e o trabalho passa a ser juntá-los automaticamente.

O que é um bom valor de OEE?

O OEE típico em manufatura ronda os 55 a 60%, e a referência clássica de classe mundial, fixada por Seiichi Nakajima em 1984, é 85%. Poucas fábricas lá chegam: num estudo com mais de 3.500 máquinas, só cerca de 6% atingiam esse valor. E comparar-se com estes números é arriscado, porque cada fábrica calcula o OEE de forma ligeiramente diferente. A comparação útil é consigo próprio ao longo do tempo, com o mesmo método de cálculo.

Com que frequência devo rever os indicadores?

Os indicadores operacionais (OEE, disponibilidade, refugo, plano) beneficiam de uma revisão diária, na reunião de produção, para que os desvios se corrijam depressa. O custo por unidade faz mais sentido rever mensalmente, olhando para a tendência em vez do valor de um dia isolado.


Se quiser definir os indicadores certos para a sua fábrica e pô-los a atualizar-se a partir dos dados que já tem, uma conversa de 30 minutos chega para perceber por onde começar. Explicamos como trabalhamos antes de qualquer compromisso.

Fontes

PRÓXIMO PASSO

Este problema existe na sua fábrica?

Uma conversa de 30 minutos chega para perceber se este padrão existe na sua operação. Se fizer sentido, avançamos para uma visita.

Vista de cima de duas pessoas a conversar, uma com um tablet na mão, no corredor de um armazém industrial

Diga-nos o que se passa na sua fábrica.