Em 2025, a produtividade por hora trabalhada em Portugal foi de 66,7% da média da União Europeia, segundo o Eurostat, apesar de cada pessoa trabalhar cerca de 300 horas a mais por ano. Na indústria transformadora, cada hora de trabalho gerou 23,65 euros de valor acrescentado em 2023, contra 53,21 euros na média europeia. Dentro de cada fábrica, a produtividade que falta raramente está numa máquina nova: está nas paragens que não se contam, nas perdas que se estimam e nas horas de pessoas qualificadas gastas a juntar números.

Os números de Portugal

Produtividade e capacidade em Portugal e na média da UE, segundo o Eurostat.
Indicador Portugal UE Período
Produtividade por hora trabalhada, economia (UE = 100) 66,7 100 2025, em paridades de poder de compra
Horas trabalhadas por pessoa por ano 1 904 1 604 2025
Valor acrescentado por hora, indústria transformadora 23,65 € 53,21 € 2023, euros correntes
Produtividade ajustada ao custo do trabalho, indústria 167% 162% 2023
Utilização da capacidade instalada, indústria 82,7% 78,3% 3.º trimestre de 2026

Duas leituras saem desta tabela. A primeira: a indústria portuguesa não compete por produzir muito em cada hora, compete por pagar pouco por ela. Ajustada ao custo do trabalho, a sua produtividade é igual à europeia. Para pagar melhor sem perder margem, cada hora tem de gerar mais valor.

A segunda: as fábricas portuguesas estão cheias. Trabalham a 82,7% da capacidade instalada, contra 78,3% na média europeia. Com pouca folga, crescer não passa por pôr a trabalhar máquinas paradas. Passa por produzir mais com as que já estão a trabalhar.

Onde a produtividade se perde dentro da fábrica

As máquinas paradas que ninguém contou. O OEE de classe mundial é de 85%, uma referência de 1984. A Evocon, que mediu mais de 3 500 máquinas em mais de 50 países, encontrou os valores reais concentrados nos 55 a 60%. A diferença está sobretudo em paragens curtas e lentidões que os registos manuais não apanham: fornecedores de sistemas de monitorização reportam que o OEE registado à mão sai, em regra, 8 a 12 pontos acima do medido. Cada ponto de OEE recuperado é produção a mais com as mesmas máquinas e as mesmas pessoas. O OEE real, e porque sai mais baixo →

As avarias que param a linha. Uma paragem não planeada custa muito mais do que a reparação: é a produção que não saiu, a entrega que falhou e as horas extra para recuperar. O estudo da Siemens de 2024 sobre grandes fábricas contou 27 horas perdidas por mês em paragens, mais de um dia de produção. Antecipar a avaria é tirar essas horas do lado das perdas. Quanto custa uma hora parada →

A matéria-prima que se perde sem se ver. Produzir mais por hora não serve de nada se uma parte sai como sucata, retrabalho ou segunda escolha. O rendimento de matéria-prima, lote a lote, é produtividade em quilos e metros, e é quase sempre estimado em vez de medido. O custo da não-qualidade →

As horas de quem devia estar a decidir. O diretor de produção que passa a segunda-feira a juntar ficheiros, o planeador que refaz o plano à mão, o engenheiro que compila o relatório de qualidade. São as horas mais caras da fábrica, gastas em trabalho que um sistema faz sozinho. É produtividade que não aparece no OEE, mas aparece no resultado. O relatório de segunda-feira →

Como se mede, antes de se melhorar

A produtividade de uma fábrica mede-se em dois níveis. Ao nível da empresa, o valor acrescentado por hora trabalhada diz quanto vale cada hora de trabalho. Ao nível da linha, o OEE diz quanto das máquinas se está a aproveitar, multiplicando disponibilidade, desempenho e qualidade. Uma máquina com 90% em cada um dos três fatores tem um OEE de 73%, e é por isso que os valores reais ficam abaixo do que a intuição sugere.

O erro mais comum não é escolher o indicador errado. É estimá-lo em vez de o medir. O "acho que andamos nos 88%" da reunião de produção e o valor medido raramente coincidem, e a diferença é exatamente a produtividade que ninguém está a tentar recuperar.

O que assumimos para a recuperar

Não vendemos software para a fábrica aprender a usar. Assumimos quatro tarefas que hoje ocupam a equipa, e cada uma devolve produtividade por um lado diferente:

Fecho de indicadores. O OEE, o refugo e o cumprimento de plano ficam calculados todos os dias, medidos e não estimados. A produtividade passa a ser um número que se vê, e as horas de quem o compilava voltam para a produção.

Planeamento e sequenciação. O plano chega proposto, com a carga real das máquinas e o menor número de mudanças de referência possível. Menos tempo de setup é mais tempo a produzir, com a mesma capacidade instalada.

Antecipação de falhas. Os dados que as máquinas já registam dizem que equipamento está a caminho de avariar. A manutenção intervém num momento planeado, em vez de a linha parar a meio de uma encomenda.

Rendimento e desperdício. O rendimento de cada lote e o consumo de cada máquina ficam apurados no dia. A perda aparece a tempo de ser corrigida, e não no fecho do mês.

Começamos pelos dados que a fábrica já gera, no ERP, nas folhas de Excel, nos PLCs e nos registos de turno, sem hardware novo nem troca de sistemas. Ver as quatro tarefas em detalhe →

Perguntas frequentes

Os números nacionais são do Eurostat. Se ficar alguma pergunta, falamos na conversa de 30 minutos.

Qual é a produtividade de Portugal comparada com a União Europeia?
Segundo o Eurostat, em 2025 a produtividade por hora trabalhada em Portugal foi de 66,7% da média da UE, em paridades de poder de compra. Por pessoa empregada foi de 79,2%, porque em Portugal se trabalham mais horas: 1 904 por pessoa e por ano, contra 1 604 na média europeia.
E na indústria transformadora?
Nos dados de 2023 do Eurostat, o valor acrescentado por hora trabalhada na indústria transformadora foi de 23,65 euros em Portugal, contra 53,21 euros na UE. Os valores estão em euros correntes, sem ajuste ao nível de preços. Ajustada ao custo do trabalho, a produtividade da indústria portuguesa é semelhante à europeia: 167% contra 162%.
Como se mede a produtividade numa fábrica?
Ao nível da empresa, o indicador mais direto é o valor acrescentado por hora trabalhada. Ao nível da linha, é o OEE, que multiplica disponibilidade, desempenho e qualidade. Os dois contam histórias diferentes: o OEE diz quanto das máquinas se está a aproveitar, o valor acrescentado por hora diz quanto vale cada hora de trabalho. Convém medir os dois, e medi-los, em vez de os estimar.
Aumentar a produtividade obriga a investir em máquinas novas?
Não necessariamente. Em muitas fábricas, a produtividade que falta está nas máquinas que já existem: nas paragens curtas que ninguém regista, nas mudanças de referência mal sequenciadas, nas avarias que se podiam ter antecipado e nas horas de pessoas qualificadas gastas a compilar números. Começamos por aí, com os dados que a fábrica já gera.
Porque é que as fábricas portuguesas precisam de produtividade para crescer?
Porque estão cheias. No inquérito europeu à indústria do 3.º trimestre de 2026, as fábricas portuguesas trabalhavam a 82,7% da capacidade instalada, contra 78,3% na média da UE. Com pouca capacidade livre, crescer passa por produzir mais em cada hora e em cada máquina.

Fontes

PRÓXIMO PASSO

A produtividade que falta está quase sempre nos dados que já tem

Uma conversa de 30 minutos chega para perceber onde começar. Se fizer sentido, avançamos para uma visita.

Vista de cima de duas pessoas a conversar, uma com um tablet na mão, no corredor de um armazém industrial

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