Como medir a produtividade numa fábrica: OEE, produção por hora ou valor acrescentado
Três indicadores medem a produtividade de uma fábrica, e cada um responde a uma pergunta. Qual usar, como se calcula e o erro que os estraga a todos.
A produtividade de uma fábrica mede-se com três indicadores, e cada um responde a uma pergunta diferente. O OEE diz quanto das máquinas se está a aproveitar. A produção por hora trabalhada diz quanto sai por cada hora de trabalho. O valor acrescentado por hora diz quanto vale cada hora. Na indústria transformadora portuguesa, esse último foi de 23,65 euros em 2023, contra 53,21 euros na média europeia, segundo o Eurostat.
Quase todas as fábricas dizem que acompanham a produtividade. Poucas conseguem dizer qual destes três números acompanham, com que definição e de onde vêm os dados. É frequente o mesmo relatório misturar um OEE de uma linha com uma produção por pessoa da fábrica inteira, e tirar conclusões sobre as duas coisas ao mesmo tempo.
Os três indicadores e a pergunta de cada um
| Indicador | Pergunta a que responde | Como se calcula | Nível |
|---|---|---|---|
| OEE | Quanto das máquinas estou a aproveitar? | Disponibilidade × desempenho × qualidade | Máquina ou linha |
| Produção por hora trabalhada | Quanto sai por cada hora de trabalho? | Unidades boas ÷ horas trabalhadas | Linha, secção ou fábrica |
| Valor acrescentado por hora | Quanto vale cada hora de trabalho? | (Vendas − consumos externos) ÷ horas trabalhadas | Empresa |
Nenhum é melhor do que os outros. São lentes diferentes sobre a mesma fábrica, e usá-las em conjunto é o que permite perceber de onde vem um problema.
O OEE: o aproveitamento das máquinas
O OEE multiplica três fatores. A disponibilidade é o tempo em que a máquina esteve a produzir face ao tempo planeado. O desempenho é a velocidade real face à velocidade nominal. A qualidade é a proporção de peças boas à primeira.
A multiplicação engana o instinto. Uma máquina com 90% em cada fator tem um OEE de 73%. É por isso que os valores reais ficam abaixo do que se diz nas reuniões.
A referência de classe mundial de 85% foi fixada por Seiichi Nakajima em 1984, segundo a Lean Production, e é o patamar das melhores operações, não o normal. A Evocon, que analisou mais de 3 500 máquinas em mais de 50 países entre 2023 e 2024, encontrou os valores reais concentrados nos 55 a 60%. Explicamos a diferença em pormenor no artigo sobre o OEE real.
Quando usar: para comparar uma linha consigo própria ao longo do tempo e para encontrar onde se perde tempo de máquina. Quando não usar: para comparar fábricas ou setores diferentes, porque as definições de tempo planeado e de velocidade nominal mudam de casa para casa.
A produção por hora trabalhada: o rendimento do trabalho
É o indicador mais intuitivo: quantas peças, metros ou quilos saem por cada hora de trabalho, contando só o que sai bom. Tem uma vantagem sobre o OEE: inclui as pessoas, não só as máquinas. Uma linha pode ter um OEE razoável e uma produção por hora fraca, se tiver mais pessoas do que precisa ou se as horas de preparação e limpeza não estiverem a ser contadas.
Tem duas armadilhas. A primeira é contar as unidades produzidas em vez das unidades boas: uma hora que produz peças para sucata não é produtiva. A segunda é contar só as horas diretas, as de quem está na linha, e deixar de fora as horas indiretas de preparação, afinação e controlo, que também são trabalho necessário para produzir.
Quando usar: para acompanhar uma linha ou secção e para medir o efeito de uma mudança de método. Quando não usar: para comparar produtos diferentes, porque uma unidade de um produto não vale o mesmo que uma unidade de outro.
O valor acrescentado por hora: quanto vale cada hora
O valor acrescentado é o que a empresa vende menos o que comprou a terceiros para o produzir: matérias-primas, energia, serviços. Dividido pelas horas trabalhadas, dá quanto valor gera cada hora de trabalho. É a medida que o Eurostat usa para comparar países e setores, e a única que permite comparar produtos diferentes, porque converte tudo em euros.
Os números nacionais dão a escala. Na indústria transformadora, em 2023, cada hora trabalhada gerou 23,65 euros de valor acrescentado em Portugal e 53,21 euros na média da UE, em euros correntes e sem ajuste ao nível de preços. Ajustada ao custo do trabalho, a produtividade da indústria portuguesa é semelhante à europeia: 167% contra 162%. A indústria portuguesa não compete por produzir muito em cada hora; compete por pagar pouco por ela.
Quando usar: para a direção, para comparar anos, e para decidir onde investir. Quando não usar: para gerir o dia a dia de uma linha, porque só se calcula bem com dados contabilísticos fechados.
O erro que estraga os três
O erro mais comum não é escolher o indicador errado. É estimá-lo em vez de o medir.
O OEE registado à mão sai, em regra, 8 a 12 pontos acima do medido automaticamente, segundo a Symestic, fornecedora de sistemas de gestão de produção. As paragens curtas não entram no registo do turno, a velocidade real não é comparada com a nominal, e a qualidade conta-se no fim do dia em vez de peça a peça. A produção por hora sofre do mesmo: as horas indiretas perdem-se e as unidades rejeitadas mais tarde não são descontadas.
A consequência é que a fábrica vê um número melhor do que o real e não tenta recuperar a diferença, porque não sabe que ela existe.
Como os três se leem juntos
| O que se vê | O que costuma querer dizer |
|---|---|
| OEE baixo, produção por hora baixa | O problema está nas máquinas: paragens, lentidão ou qualidade |
| OEE razoável, produção por hora baixa | O problema está na organização do trabalho: pessoas a mais na linha ou horas indiretas altas |
| Produção por hora boa, valor acrescentado por hora baixo | O problema está no que se produz: produto de baixo valor, preço, ou consumos externos altos |
| Os três a subir | A melhoria é real e não é só mudança de mix |
Por onde começar
- Escolha uma linha, não a fábrica inteira. A que tem mais peso no volume ou mais problemas conhecidos.
- Defina o tempo planeado e a velocidade nominal por escrito. Sem isso, o OEE de um mês não se compara com o do mês seguinte.
- Conte as unidades boas, não as produzidas. E desconte as rejeitadas mais tarde, na altura em que o são.
- Conte todas as horas. Diretas e indiretas, incluindo preparação, afinação e limpeza.
- Meça durante duas semanas e compare com a estimativa. A diferença é a produtividade que não estava a ser vista.
- Calcule o valor acrescentado por hora uma vez por trimestre, com a contabilidade, para ter a visão da direção.
Nada disto exige um sistema novo. Os dados estão no ERP, nos registos de turno e nos PLCs. Falta juntá-los com as mesmas regras todos os dias. Explicamos a relação entre estes números e a produtividade do país na página sobre produtividade na indústria, e o que assumimos nesse trabalho em o que fazemos.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor indicador de produtividade numa fábrica?
Depende da pergunta. O OEE mede o aproveitamento das máquinas, a produção por hora trabalhada mede o rendimento do trabalho e o valor acrescentado por hora mede quanto vale cada hora. Para gerir uma linha, o OEE e a produção por hora; para a direção, o valor acrescentado por hora.
Como se calcula a produtividade por hora trabalhada?
Dividindo as unidades boas produzidas pelas horas trabalhadas no mesmo período. Devem contar-se só as unidades boas, descontando as rejeitadas, e todas as horas, diretas e indiretas, incluindo preparação, afinação e limpeza.
Qual é um bom valor de OEE?
A referência de classe mundial é de 85%, fixada por Nakajima em 1984. Os valores reais medidos pela Evocon em mais de 3 500 máquinas concentram-se nos 55 a 60%. Mais importante do que o valor absoluto é medi-lo sempre com as mesmas regras e ver se sobe.
Qual é o valor acrescentado por hora na indústria portuguesa?
Segundo o Eurostat, em 2023 foi de 23,65 euros por hora trabalhada na indústria transformadora portuguesa, contra 53,21 euros na média da UE, em euros correntes e sem ajuste ao nível de preços.
Porque é que o OEE medido é mais baixo do que o registado à mão?
Porque os registos manuais não apanham as paragens curtas, raramente comparam a velocidade real com a nominal e contam a qualidade no fim do dia. Fornecedores de sistemas de monitorização reportam diferenças típicas de 8 a 12 pontos.
Se a produtividade da sua fábrica ainda é um número estimado na reunião de segunda-feira, uma conversa de 30 minutos chega para perceber por onde começar a medi-la. Explicamos como trabalhamos antes de qualquer compromisso.
Fontes
- Enterprises by detailed NACE Rev. 2 activity (sbs_ovw_act) · Eurostat, estatísticas estruturais das empresas, indústria transformadora (NACE C), dados de 2023. Valor acrescentado por hora trabalhada e produtividade ajustada ao custo do trabalho.
- OEE (Overall Equipment Effectiveness) · Lean Production (Vorne). Definição e referência de classe mundial de 85% (Nakajima, 1984).
- World-Class OEE: Industry Benchmarks from More Than 50 Countries · Evocon, 3 500+ máquinas, 2023-2024.
- OEE Benchmarks: Realistic Values by Industry · Symestic (fornecedor de MES). Diferença entre OEE registado à mão e medido automaticamente.