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Como medir a produtividade numa fábrica: OEE, produção por hora ou valor acrescentado

Três indicadores medem a produtividade de uma fábrica, e cada um responde a uma pergunta. Qual usar, como se calcula e o erro que os estraga a todos.

· Por Guilherme Silva · 9 min de leitura

A produtividade de uma fábrica mede-se com três indicadores, e cada um responde a uma pergunta diferente. O OEE diz quanto das máquinas se está a aproveitar. A produção por hora trabalhada diz quanto sai por cada hora de trabalho. O valor acrescentado por hora diz quanto vale cada hora. Na indústria transformadora portuguesa, esse último foi de 23,65 euros em 2023, contra 53,21 euros na média europeia, segundo o Eurostat.

Quase todas as fábricas dizem que acompanham a produtividade. Poucas conseguem dizer qual destes três números acompanham, com que definição e de onde vêm os dados. É frequente o mesmo relatório misturar um OEE de uma linha com uma produção por pessoa da fábrica inteira, e tirar conclusões sobre as duas coisas ao mesmo tempo.

Os três indicadores e a pergunta de cada um

IndicadorPergunta a que respondeComo se calculaNível
OEEQuanto das máquinas estou a aproveitar?Disponibilidade × desempenho × qualidadeMáquina ou linha
Produção por hora trabalhadaQuanto sai por cada hora de trabalho?Unidades boas ÷ horas trabalhadasLinha, secção ou fábrica
Valor acrescentado por horaQuanto vale cada hora de trabalho?(Vendas − consumos externos) ÷ horas trabalhadasEmpresa

Nenhum é melhor do que os outros. São lentes diferentes sobre a mesma fábrica, e usá-las em conjunto é o que permite perceber de onde vem um problema.

O OEE: o aproveitamento das máquinas

O OEE multiplica três fatores. A disponibilidade é o tempo em que a máquina esteve a produzir face ao tempo planeado. O desempenho é a velocidade real face à velocidade nominal. A qualidade é a proporção de peças boas à primeira.

A multiplicação engana o instinto. Uma máquina com 90% em cada fator tem um OEE de 73%. É por isso que os valores reais ficam abaixo do que se diz nas reuniões.

A referência de classe mundial de 85% foi fixada por Seiichi Nakajima em 1984, segundo a Lean Production, e é o patamar das melhores operações, não o normal. A Evocon, que analisou mais de 3 500 máquinas em mais de 50 países entre 2023 e 2024, encontrou os valores reais concentrados nos 55 a 60%. Explicamos a diferença em pormenor no artigo sobre o OEE real.

Quando usar: para comparar uma linha consigo própria ao longo do tempo e para encontrar onde se perde tempo de máquina. Quando não usar: para comparar fábricas ou setores diferentes, porque as definições de tempo planeado e de velocidade nominal mudam de casa para casa.

A produção por hora trabalhada: o rendimento do trabalho

É o indicador mais intuitivo: quantas peças, metros ou quilos saem por cada hora de trabalho, contando só o que sai bom. Tem uma vantagem sobre o OEE: inclui as pessoas, não só as máquinas. Uma linha pode ter um OEE razoável e uma produção por hora fraca, se tiver mais pessoas do que precisa ou se as horas de preparação e limpeza não estiverem a ser contadas.

Tem duas armadilhas. A primeira é contar as unidades produzidas em vez das unidades boas: uma hora que produz peças para sucata não é produtiva. A segunda é contar só as horas diretas, as de quem está na linha, e deixar de fora as horas indiretas de preparação, afinação e controlo, que também são trabalho necessário para produzir.

Quando usar: para acompanhar uma linha ou secção e para medir o efeito de uma mudança de método. Quando não usar: para comparar produtos diferentes, porque uma unidade de um produto não vale o mesmo que uma unidade de outro.

O valor acrescentado por hora: quanto vale cada hora

O valor acrescentado é o que a empresa vende menos o que comprou a terceiros para o produzir: matérias-primas, energia, serviços. Dividido pelas horas trabalhadas, dá quanto valor gera cada hora de trabalho. É a medida que o Eurostat usa para comparar países e setores, e a única que permite comparar produtos diferentes, porque converte tudo em euros.

Os números nacionais dão a escala. Na indústria transformadora, em 2023, cada hora trabalhada gerou 23,65 euros de valor acrescentado em Portugal e 53,21 euros na média da UE, em euros correntes e sem ajuste ao nível de preços. Ajustada ao custo do trabalho, a produtividade da indústria portuguesa é semelhante à europeia: 167% contra 162%. A indústria portuguesa não compete por produzir muito em cada hora; compete por pagar pouco por ela.

Quando usar: para a direção, para comparar anos, e para decidir onde investir. Quando não usar: para gerir o dia a dia de uma linha, porque só se calcula bem com dados contabilísticos fechados.

O erro que estraga os três

O erro mais comum não é escolher o indicador errado. É estimá-lo em vez de o medir.

O OEE registado à mão sai, em regra, 8 a 12 pontos acima do medido automaticamente, segundo a Symestic, fornecedora de sistemas de gestão de produção. As paragens curtas não entram no registo do turno, a velocidade real não é comparada com a nominal, e a qualidade conta-se no fim do dia em vez de peça a peça. A produção por hora sofre do mesmo: as horas indiretas perdem-se e as unidades rejeitadas mais tarde não são descontadas.

A consequência é que a fábrica vê um número melhor do que o real e não tenta recuperar a diferença, porque não sabe que ela existe.

Como os três se leem juntos

O que se vêO que costuma querer dizer
OEE baixo, produção por hora baixaO problema está nas máquinas: paragens, lentidão ou qualidade
OEE razoável, produção por hora baixaO problema está na organização do trabalho: pessoas a mais na linha ou horas indiretas altas
Produção por hora boa, valor acrescentado por hora baixoO problema está no que se produz: produto de baixo valor, preço, ou consumos externos altos
Os três a subirA melhoria é real e não é só mudança de mix

Por onde começar

  1. Escolha uma linha, não a fábrica inteira. A que tem mais peso no volume ou mais problemas conhecidos.
  2. Defina o tempo planeado e a velocidade nominal por escrito. Sem isso, o OEE de um mês não se compara com o do mês seguinte.
  3. Conte as unidades boas, não as produzidas. E desconte as rejeitadas mais tarde, na altura em que o são.
  4. Conte todas as horas. Diretas e indiretas, incluindo preparação, afinação e limpeza.
  5. Meça durante duas semanas e compare com a estimativa. A diferença é a produtividade que não estava a ser vista.
  6. Calcule o valor acrescentado por hora uma vez por trimestre, com a contabilidade, para ter a visão da direção.

Nada disto exige um sistema novo. Os dados estão no ERP, nos registos de turno e nos PLCs. Falta juntá-los com as mesmas regras todos os dias. Explicamos a relação entre estes números e a produtividade do país na página sobre produtividade na indústria, e o que assumimos nesse trabalho em o que fazemos.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor indicador de produtividade numa fábrica?

Depende da pergunta. O OEE mede o aproveitamento das máquinas, a produção por hora trabalhada mede o rendimento do trabalho e o valor acrescentado por hora mede quanto vale cada hora. Para gerir uma linha, o OEE e a produção por hora; para a direção, o valor acrescentado por hora.

Como se calcula a produtividade por hora trabalhada?

Dividindo as unidades boas produzidas pelas horas trabalhadas no mesmo período. Devem contar-se só as unidades boas, descontando as rejeitadas, e todas as horas, diretas e indiretas, incluindo preparação, afinação e limpeza.

Qual é um bom valor de OEE?

A referência de classe mundial é de 85%, fixada por Nakajima em 1984. Os valores reais medidos pela Evocon em mais de 3 500 máquinas concentram-se nos 55 a 60%. Mais importante do que o valor absoluto é medi-lo sempre com as mesmas regras e ver se sobe.

Qual é o valor acrescentado por hora na indústria portuguesa?

Segundo o Eurostat, em 2023 foi de 23,65 euros por hora trabalhada na indústria transformadora portuguesa, contra 53,21 euros na média da UE, em euros correntes e sem ajuste ao nível de preços.

Porque é que o OEE medido é mais baixo do que o registado à mão?

Porque os registos manuais não apanham as paragens curtas, raramente comparam a velocidade real com a nominal e contam a qualidade no fim do dia. Fornecedores de sistemas de monitorização reportam diferenças típicas de 8 a 12 pontos.


Se a produtividade da sua fábrica ainda é um número estimado na reunião de segunda-feira, uma conversa de 30 minutos chega para perceber por onde começar a medi-la. Explicamos como trabalhamos antes de qualquer compromisso.

Fontes

PRÓXIMO PASSO

Este problema existe na sua fábrica?

Uma conversa de 30 minutos chega para perceber se este padrão existe na sua operação. Se fizer sentido, avançamos para uma visita.

Vista de cima de duas pessoas a conversar, uma com um tablet na mão, no corredor de um armazém industrial

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